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A espiritualidade no câncer
12/08/2011
O câncer tem sido uma das principais causas de morte nos países desenvolvidos e mesmo sabendo que atualmente, aproximadamente 50% dos casos de câncer são curáveis, os tratamentos oferecidos estão em processo contínuo de aperfeiçoamento. Desta forma, a quimioterapia tem alcançado vitórias e derrotas. Entre as vitórias temos os tantos casos de remissão da doença ou de redução de tumores. E entre suas derrotas estão os efeitos colaterais, que incluem problemas gastrintestinais, depressão imunológica e diminuição de plaquetas.
É importante pensar que, infelizmente, os medicamentos quimioterápicos não agridem somente o tumor, mas também células saudáveis do organismo e, por isso, tantos sintomas indesejáveis podem aparecer durante o tratamento.
Contudo, há uma maneira bastante razoável de pensar em todas essas reações indesejadas quando aparecem: “o tumor está sendo atacado e isso é bom para mim, para o sucesso do meu tratamento”. É claro que todas as reações devem ser controladas, monitoradas pelo médico e sua equipe, mas o pensamento deve sempre direcionar o paciente em tratamento à sua própria cura.
Assim, a doença leva o ser humano a deparar-se com seus valores e com questões como a existência e a proximidade da morte. Nessa perspectiva, a religião e a espiritualidade empreendem o esforço de significar essa nova deman¬da apresentada para o paciente, buscando compreender a própria doença, o sofrimento, a morte e a existência.
A espiritualidade é entendida, como uma forma de ação e de atitude diante do mundo; uma espiritualidade que nos possibilite ver a temporalidade das coisas, para entendermos que a vida se constitui numa oportunidade para crescermos e aceitarmos nossas limitações, nosso envelhecimento e nossa mortalidade.
Uma das melhores maneiras de alcançar o sucesso no tratamento contra o câncer é detectar a doença ainda em estágio inicial, mas encarar a doença de frente também faz parte luta. As pessoas de atitude otimista e que brigam pela vida têm mais chance de alcançar um bom resultado no tratamento do câncer. O humor interfere na qualidade do sistema imunológico, responsável por combater células em mutação e proteger nosso organismo. A genética pode predispor a pessoa a desenvolver um câncer, mas se o sistema imunológico estiver fortalecido, as células serão eliminadas no momento em que sofrerem mutação.
Atitude positiva isoladamente não basta, principalmente quando se está diante de uma doença grave. Ela deve estar inserida no contexto de uma relação de cumplicidade com seu médico. O bom profissional é o que alia o conhecimento técnico com uma relação humanizada e um olhar abrangente sobre a pessoa. É importante que o paciente seja visto como um indivíduo, que tem uma biografia, uma história de vida, valores, crenças, medos e angústias - e vice-versa, pois o médico também tem suas limitações.
Concluindo, devemos estar preparados para encarar a doença de frente, com pensamento positivo, sem ficarmos nos lamentando do “porque aconteceu justo comigo”. Talvez, se pensarmos não no porque, mas no que colaborei com a doença e como farei para mudar isso daqui para frente, já teremos encontrado a cura, seja qual for o final da história.
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