Cirurgia e Espiritualidade

03/02/2011


Infelizmente quando vamos nos submeter a um procedimento cirúrgico não temos segurança no cirurgião em que vamos entregar nosso precioso corpo, e nem se realmente temos necessidade de nos submetermos a aquele procedimento.
Deparamos-nos com o medo da morte, seqüelas, da internação em um ambiente desconhecido, enfim do inesperado.


Um cirurgião precisa ter olhos de uma águia
O coração de um leão
As mãos de uma mulher
A delicadeza de um cordeiro
A paciência de um santo
A bexiga de um elefante


Cultura médica

Para muitos pacientes, receber tratamento num hospital e submeter-se a uma cirurgia é um grande salto para o desconhecido.
O papel da espiritualidade nesse instante é fundamental. Geralmente nessa fase todos nós, mesmo os mais céticos, passamos a desenvolver uma sensibilidade maior e uma necessidade de uma atenção diferenciada.
Em primeiro lugar negamos até porque ficamos doentes. Algumas pessoas apresentam todos os fatores de risco, o paciente é fumante, obeso, alimenta-se de forma errada, não faz exercícios e tem um nível de colesterol e histórico familiar de ataques cardíacos. Existem também aquelas pessoas que não deveriam ter uma doença, a mulher magra, alimenta-se corretamente, não fuma, pratica corrida e seus pais não tem problemas cardíacos. Todavia, ao contrário do que poderia ser previsto por esses fatores, o homem obeso convive bem com as suas artérias obstruídas e a mulher esguia tem um ataque cardíaco necessitando se internar as pressas. O que está acontecendo? Aprofundando a investigação, descobrimos que o homem obeso, que aparenta ser uma bomba relógio tem um temperamento tranqüilo e alegre, o que faz com que sejam menores seus riscos agudos. Quanto à mulher podermos vir a descobrir que sofria de problemas familiares e depressão o que aumentam muito seus riscos.
Não existem dúvidas que a vida emocional pode influenciar, e muito, os riscos de se adoecer e a recuperação cirúrgica. Para mim é o essencial.
Devemos começar com o contato com o cirurgião que deve passar segurança ao paciente e a família em todos os aspectos.
Em segundo lugar o paciente deve manter contato com a sua família ou entes queridos durante a maior parte do tempo, da forma que o doente nunca se sinta sozinho ou abandonado. Não se pode pactuar com rostos solitários olhando fixamente para a parede ou matando o tempo, em silêncio, diante de televisores. È óbvio que a solidão e o abandono sentimental podem prejudicar fisicamente uma pessoa.
Quanto à recuperação, a responsabilidade do cirurgião não termina com o último ponto da sutura de pele. Por mais bem sucedida que a cirurgia possa ter sido, ao terminá-la o cirurgião tem a obrigação de mostrar ao paciente o caminho da recuperação, uma tarefa que é facilitada pelos tratamentos complementares e outros profissionais da equipe hospitalar como psicólogos, fisioterapeutas, nutricionistas, etc..
Nunca é demais enfatizar a importância da atitude do paciente em relação à doença e ao longo do caminho que leva a recuperação. Em alguma parte do processo, o paciente tem de tomar a decisão de agir e optar por contribuir para a própria cura. A mente tem de ajudar o corpo.
Enfim, seja qual for a doença ou o tratamento cirúrgico ou o prognóstico sugerido a verdadeira chave para o sucesso é que nos livremos de nossos vínculos, principalmente em dois domínios da vida. As mesmas áreas que causam devastação nos pacientes.
A primeira é a nossa paixão pelas coisas físicas, nossos desejos insatisfeitos que freqüentemente nos fazem sofrer. A segunda é o egoísmo que justifica os nossos pensamentos e emoções negativas em relação ás outras pessoas. A raiva, o desprezo e o ódio nos mantêm presos ao nosso self inferior. A verdadeira liberdade está em superar estes amores inferiores e optar por seguir um caminho superior.
A verdadeira cura muitas vezes surge a partir de mudanças de vida que implicam renunciar emoções mesquinhas e destrutivas e ás preocupações mundanas do nosso mundo físico com o propósito de podermos nos entregar a um bem superior.

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